ABIA critica atraso na incoporação da PrEP como política pública no SUS


A Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA) divulgou nessa segunda-feira (14),nota criticando o atraso do Brasil em adotar a PrEP (profilaxia pré-exposição) como método de prevenção. Segundo a ABIA, a profilaxia já está disponível nos Estados Unidos e mais recentemente na África do Sul. "A ABIA reconhece que o Brasil realiza estudos importantes para prevenir a infecção entre adultos. Reconhecemos também a relevância da inclusão dos jovens entre 16 e 19 anos no âmbito da pesquisa. No entanto, o país está atrasado na incorporação do novo método como política pública de saúde." 
A PrEP é uma estratégia de prevenção que envolve a utilização diária de um medicamento antirretroviral (ARV), por pessoas não infectadas, para reduzir o risco de aquisição do HIV através de relações sexuais.. Leia a nota a seguir:
A profilaxia pré-exposição (PrEP) é comprovadamente uma importante estratégia contra o HIV. Já é evidência científica que o uso de um comprimido por dia pode prevenir a infecção pelo HIV e evitaria o surgimento de muitos novos casos de infecção no Brasil. Hoje a PrEP é uma importante opção de prevenção para muitas pessoas nos países onde se encontra disponibilizada. Recentemente, a África do Sul adotou a PrEP, tornando-se o segundo país no mundo a disponibilizar o truvada como prevenção (o primeiro país foram os Estados Unidos). A ABIA reconhece que, no mesmo momento que a África do Sul toma esta medida, o Brasil realiza estudos importantes para prevenir a infecção entre adultos. Reconhecemos também a relevância da inclusão dos jovens entre 16 e 19 anos no âmbito da pesquisa. No entanto, o país está atrasado na incorporação do novo método como política pública de saúde.
Defendemos que as pesquisas de Saúde sejam cada vez mais ampliadas e financiadas e que os estudos ocorram simultaneamente com a incorporação da PrEP. Não podemos admitir que, com o carimbo de atraso e incompetência do governo, pessoas continuem se infectando pelo HIV.
A prevenção combinada precisa sair do discurso governamental e se efetivar na prática, possibilitando o maior leque de prevenções atualmente possíveis. A cada nova infecção de HIV no país, o governo também é responsável ao não disponibilizar a PrEP – pelo menor custo para o SUS. Para alcançar esta meta seria necessário que a patente do Truvada – que ainda está em análise – fosse rapidamente avaliada e rejeitada, até mesmo porque já foram apresentados argumentos técnicos ao INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) que provam que a patente é imerecida. Após essa decisão, haverá muito mais espaço para redução de preço a um patamar sustentável.
A ABIA defende um SUS com qualidade e a prevenção como um direito e por isso lutamos pela incorporação imediata da PrEP nas políticas públicas de saúde com acesso para todos que precisem, com ampla informação sobre esta tecnologia, inclusive nas campanhas nacionais.
Rio de Janeiro, 14 de dezembro de 2015

Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids

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