You Tube ordena retirada de vídeo com hasteamento de bandeira do arco-iris



O You Tube ordenou nesta sexta (17) a retirada em 48 horas, de um vídeo postado na última terça (14), mostrando a Vigília dos Indignados, realizada por ativistas de direitos humanos e dos direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT), em frente ao Palácio do Buriti em Brasília, para protestar contra a decisão do governo do Distrito Federal em revogar o decreto de regulamentação da lei distrital anti-homofobia. O You Tube alegou ter recebido “reclamações por violação de privacidade”. Vale comentar que o fato ocorre no Dia Internacional de Combate à Homofobia, 17 de maio. 


Ocorre que o vídeo foi produzido na manifestação e com o consentimento das pessoas presentes. A idealizadora da peça, a fotojornalista e ativista da ONG ELOS, Alexandra Martins, acredita que o hasteamento da bandeira do arco-íris tenha sido o motivo para o pedido de retirada. “É irônico que vídeos difamatórios e nitidamente violentos do deputado federal Jair Bolsonaro – que deturpou a fala de Tatiana Lionço e Cristiano Ferreira - demoram semanas para sair do ar, enquanto este da vigília foi rapidamente solicitado a retirada sem nem ao menos eu ter defesa e poder contra-argumentar”, declara.
Segundo Alexandra, por causa desta ofensiva, o vídeo sobre a Vigília estará disponível em um site que retomará a pressão pela regulamentação da lei 2615. “Não é a primeira vez que tenho fotos e vídeos retirados das redes sociais por denúncias de terceiros e cada vez mais acredito que o caminho seja a construção e fortalecimento de mídia alternativas onde produzimos o conteúdo que nos representa e conseguimos organizar nossas informações sem passar por desgastes como esses”, afirma dizendo ainda que ela vai aguardar que o próprio You Tube retire o conteúdo.
Imbróglio – A Vigília dos Indignados pedia que o governador Agnelo Queiroz regulamentasse imediatamente a Lei 2.615/00, de autoria da ex-deputada pelo PT Maninha (PSol), que trata de sanções às práticas discriminatórias em razão da orientação sexual e foi promulgada há quase 13 anos, mas teve o decreto de regulamentação revogado menos de 24 horas depois de publicado. O GDF alegou que o Decreto n. 34.350 foi publicado por “erro de tramitação” e que precisaria passar pela área jurídica para receber ajustes.
O governador, que em seu plano de governo se comprometeu a “enfrentar a imensa desigualdade de gênero, a desigualdade racial, a homofobia e todas as formas de preconceito e discriminação, promovendo os direitos humanos”, afirmou que a lei continha “absurdos”. Já o consultor jurídico do GDF, Paulo Guimarães disse que a análise do mérito da proposta está sendo feita para o aperfeiçoamento, mas que “a lei de 2000 está em vigor e em quaisquer ocorrências que envolvam qualquer cidadão em práticas discriminatórias está assegurado o direito de entrar com uma petição e levar o fato para conhecimento da Administração Pública para que a lei seja aplicada”.

Na segunda (13), a deputada federal Erika Kokay (PT-DF) esteve no Ministério Público do DF e dos Territórios (MPDFT), para entregar uma representação pedindo que o órgão adote as ações cabíveis para que o GDF regulamente imediatamente a Lei, argumentando que os direitos da população LGBT estão sendo restringidos pela demora do Executivo local em regulamentar a lei anti-homofobia e que a lei não sofreu nenhum questionamento quanto à sua legitimidade ou constitucionalidade, e está e que a legislação dá um prazo de 90 dias para que uma lei seja regulamentada.
CLDF – O combate à homofobia e a defesa de direitos de LGBT acha abrigo na CLDF apenas pelas mãos de Arlete Sampaio (PT), que nesta sexta (17) realizou Audiência Pública para debater o tema. Pelo segundo ano consecutivo, além de propor, Arlete era a única distrital da Casa a estar presente.
Apesar de o GDF alegar vícios formais, fontes do Buriti confirmaram a Câmara em Pauta que a bancada religiosa da Câmara Legislativa do DF pressionou o GDF. Horas antes do anúncio da revogação, o deputado distrital Evandro Garla (PRB), presidente da Frente Parlamentar da Família e vice-presidente da Frente Parlamentar Evangélica na CLDF lançou nota de repúdio contra a lei, dizendo que ela cassa a liberdade de expressão. Na nota, ele disse que estaria “junto com outras lideranças evangélicas para garantir os direitos da família constituída por Deus”.
Também nesta semana, outros deputados como Benedito Domingos (PP) e Wellington Luiz (PPL) ocuparam a tribuna para reclamar de outra conquista LGBT, a resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de proibir cartórios de recusarem a celebração de casamento civil de pessoas do mesmo sexo ou de negarem a conversão de união estável de homossexuais em casamento e misturou alhos com bugalhos, ao comparar o fato à polêmica em torno da maioridade penal. Para ele, a Constituição não pode ser alterada em benefício de homossexuais, mas pode para reduzir a maioridade penal.
Enquanto o You Tube não retira do ar, ele pode ser visto aqui.

Fonte: http://camaraempauta.com.br/portal/artigo/ver/id/4715/nome/You_Tube_ordena_retirada_de_video_com_hasteamento_de_bandeira_do_arcoiris

Postagens mais visitadas deste blog

No dia do Rock veja a lista dos roqueiros que assumiram sua HOMOSsexualidade

Lista de pessoas selecionadas atualizadas

Sauna Soho inova na programação e conquista mais frequentadores