Bolsonaro: Dilma, assuma que o seu negócio é o amor homossexual



Foto: Agência Brasil
Em pronunciamento na tarde da última quinta-feira, 24 de novembro, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), soltou mais um de seus comentários preconceituosos. Criticando as políticas anti-homofobia do governo, "acusou" a presidente Dilma Rousseff de "gostar de homossexual".

"Dilma Rousseff, pare de mentir! Se gosta de homossexual, assuma! Se o seu negócio é amor com homossexual, assuma, mas não deixe que essa covardia entre nas escolas do primeiro grau", declarou o deputado.

Bolsonaro explica sua indignação: "Eu fiquei estarrecido ao saber que a inclusão de materiais sobre homossexuais nos livros didáticos ainda é discutida no governo. Pensei que a questão havia sido enterrada pela presidente, pois em maio ela garantiu que o kit-gay foi recolhido. Só que, para minha surpresa, ele não foi. Uma pessoa do Ministério da Educação disse que, entre as diretrizes para o livro didático para 2012, está a inclusão de capítulos sobre a homoafetividade. Fiquei revoltado e fui na tribuna no dia seguinte."

Outros políticos se posicionaram contra a atitude de Bolsonaro. A senadora Marta Suplicy (PT-SP) pediu, na tribuna do Senado, que fossem tomadas medidas "enérgicas", pois acredita que houve quebra de decoro parlamentar. "Eu não sei nem o que dizer de tão absurdo. Além de repetir (declarações homofóbicas), ele deu um passo além. Como mãe, mulher, senadora e vice-presidente desta Casa, peço ao presidente Marco Maia que tome providência enérgica. É preciso dar um freio de arrumação, houve falta de decoro parlamentar. Ele tem ofendido pessoas, cidadãos comuns e, agora, a própria presidenta da República", disse ela.

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) defende a abertura de processo no Conselho de Ética da Câmara - para ele, Bolsonaro tem direito de criticar o governo, mas não através de preconceitos e ofensas. “Todo mundo tem o direito de defender sua opinião e o que pensa, mas à medida que isso acaba sendo uma discriminação contra determinada pessoa ou determinado segmento, – inclusive ofendendo a figura da pessoa mais elevada do Poder Executivo, mas mesmo que não fosse –, isso pode ensejar sim em uma abertura de procedimento dentro do Conselho de Ética tanto na Câmara quanto no Senado”, afirmou.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) considera as declarações do deputado lamentáveis, e que a Câmara deve tomar uma providência. "(A declaração) foi preconceituosa, mal-educada e não precisaria ter acontecido”.

Bolsonaro diz não ter ofendido ninguém: "Eu tenho a tribuna. Eu posso pregar o que eu bem entender na tribuna. O artigo 53 (da Constituição) diz que sou inviolável. Eu não ofendi ninguém. Não pretendo ofender. Se querem esquecer esse assunto gravíssimo para levar para o lado de que eu sou desequilibrado, não tenho culpa", declarou, e conclui: "Que me cassem, mas tenham vergonha na cara de enterrar esse projeto do kit-gay, já que Dilma não teve coragem de enterrar".

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