Dados do Censo 2010 do IBGE mostram que DF é 2º entre casais gays

Correio Braziliense
Julia Borba / Luiz Calcagno
Publicação: 12/05/2011 07:00 Atualização: 12/05/2011 07:23
Alex e George vão formalizar a união na próxima semana, para depois passarem a morar juntos (Adauto Cruz/CB/D.A Press)
Alex e George vão formalizar a união na próxima semana, para depois passarem a morar juntos
O Distrito Federal é o segundo estado em número de casais gays no Brasil, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) indicam que 0,26% dos casais da capital federal se declararam homossexuais. No Rio, o percentual sobe para 0,32%, enquanto a média brasileira é de apenas 0,15%.

No DF, são 1.239 casais vivendo em união estável, mas sem o reconhecimento legal do Estado para desfrutarem de seus direitos. O número, no entanto, está bem abaixo da realidade, uma vez que o estudo considera apenas pessoas responsáveis por seus lares e exclui, por exemplo, filhos de casais heterossexuais que se declarem gays.

O cientista político José Pennafort, 30 anos, e o marido, o arquiteto Paulo Amorim, 45, casados há 8 anos, estão dentro das estatísticas. Embora estejam juntos há tanto tempo e tenham inclusive um documento assinado em cartório formalizando a união, os dois passaram a se sentir mais reconhecidos pelo Estado. “A gente tinha um papel até quinta-feira com valor limitado. Dependia da boa vontade do gestor público ou privado para fazer um plano de saúde ou um seguro de carro. O que muda é que hoje todos serão obrigados a aceitar”, comemora Pennafort.

Com a nova lei, os dois acreditam que as pessoas se acostumarão à presença de casais homossexuais e o preconceito vai diminuir. “Um gay não se resume à sua sexualidade. Ele trabalha, tem vida, chora e sorri, como todo mundo”, ressalta o cientista político. Para o contador Alex Lima, 25, e o analista de redes sociais George Marques, 20, a decisão representa o sonho de uma “família completa”. “A decisão era tudo que eu esperava. Agora, com a lei, facilitou a união da gente. Já entramos com os documentos. Estamos super felizes”, conta Alex.
José (de pé) e Paulo: após oito anos de convivência, o reconhecimento do Estado (Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press)
José (de pé) e Paulo: após oito anos de convivência, o reconhecimento do Estado
George, mais pé no chão, pensa em morar junto com o namorado. A mudança está nos planos a curto prazo. “Queremos oficializar a relação na semana que vem e providenciar um lugar para morar. Passamos a maior parte do dia juntos e pretendemos alugar um apartamento logo após a nossa união. Vamos legalizar o quanto antes, para que nenhuma medida venha a barrar a decisão”, declara George. “O preconceito, independentemente da lei, sempre vai haver. Eu tenho seguro de vida, plano de saúde, e agora vou incluí-lo nessas modalidades. Ainda poderemos adotar (uma criança), para ter uma família completa”, acrescenta Alex.

Preconceito
A nova lei não escapou de olhos críticos como o do analista de sistemas Davi Alexandrino, 30 anos. Ele acredita que, de alguma forma, a lei rotula homossexuais. Na visão de Alexandrino, a decisão é “uma arma que poderá ser usada em benefício dos gays”, mas os direitos deviriam estar inclusos na legislação anterior. “Não é legal porque provoca segregação. Ao mesmo tempo que une pessoas, rotula e acaba as separando de um grupo maior. Serão chamados de casais homossexuais, e não apenas de casais, como deveria ser”, pondera. O analista tem um relacionamento fixo com outro homem há quase sete anos.

A produtora Anna Karla Lacerda, 32, mora com a namorada na casa dos pais e tem agora o contrato de união estável como plano futuro. Ela conta que sua família aceitou bem, mas que, mais de uma vez, teve namoradas que passaram por dificuldades. Anna comemorou a decisão do STF como “um golpe no preconceito. “Era um grito engasgado há várias décadas, de pessoas que lutam por isso. Nunca deveria ter havido distinção entre heterossexuais e homossexuais. São cidadãos que têm direitos e deveres. Vamos usufruir disso como pessoas normais que somos”, comemora.

A produtora lembra ainda que inserir um nome no plano de saúde, por exemplo, é um direito básico que já deveria existir. Anna espera que, com a nova lei, homossexuais se sintam mais à vontade para assumir sua orientação, e que o número de casais cresça. “Nós vamos constituir famílias, propagar o amor. Eu penso em fazer união estável quando chegar a hora. As novas famílias formadas farão parte do cotidiano e crianças vão crescer sabendo que isso é normal”, diz.

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