SP: Militante dos direitos LGBT é assassinado



A polícia investiga mais um crime provocado por homofobia no interior de São Paulo. A vítima, que defendia direitos dos homossexuais, estava sendo ameaçada.
Iranilson Nunes da Silva, de 38 anos, foi socorrido, mas chegou morto ao hospital. A perícia encontrou no local nove cápsulas de pistola calibre 380. O rapaz ia se encontrar com um amigo quando foi surpreendido pelo assassino.
A vítima não tinha antecedentes criminais e participava de uma organização em defesa dos direitos dos homossexuais na cidade. Há uma semana, ele e um amigo começaram a receber ameaças por mensagens de texto do celular.
O delegado responsável pelo caso e o presidente da ONG da qual Iranilson participava não descartam a homofobia como motivação do crime.
Ao Iran, que com sua morte, torna nossa bandeira menos colorida.
A vida da gente é feita de lutas, vitórias e conquistas. Mas às vezes de perdas e derrotas.
Iniciamos o trabalho de ser uma ONG de direitos humanos e cidadania LGBT com o objetivo de combater preconceitos, a intolerância e de poder derrotar a homofobia, que maltrata e mata a população LGBT, muitas vezes sem a gente se dar conta que isso está acontecendo.
A homofobia ameaça, persegue, maltrata, coloca medo, impõem situações de vexame, e constantemente mata. Mata sim, freqüentemente maquiada de crime passional ou comumente tipificada de crime comum, isso porque a homofobia no Brasil não é crime. Falta um arcabouço legal que possibilite a identificação desse comportamento, cada dia mais presente na vida das cidades. 
No dia 23 de novembro do ano de 2010 mais um homossexual é assassinado no Brasil. Um militante da causa LGBT, membro da ONG REVIDA, carinhosamente chamado de Iran, ou o Dicesar de Jacareí, devido à semelhança com o maquiador que incorpora a drag Dimmy Kier.
Iran, chamado Iranilson Nunes da Silva, 38 anos, era uma pessoa que exalava vida. E vida em abundância. Participava intensamente dos projetos, reuniões, encontros e atividades da ONG REVIDA. Lutava por um mundo sem preconceito e intolerância. Morreu, provavelmente, vítima daquilo que justamente ele lutava contra: vítima da homofobia. Podem falar de crime passional, o que não deixa de ser uma prática homofóbica, até porque ele era uma pessoa homossexual assumida.
Recentemente Iran participara da 15ª Parada LGBT do Rio de Janeiro, ajudou na organização da 1ª Parada LGBT de Jacareí, esteve no trio elétrico da ONG REVIDA na 14ª Parada LGBT de São Paulo e com muita energia protestou na 1ª Marcha Nacional LGBT contra a homofobia em Brasília. Além de estar sempre presente nas reuniões da ONG REVIDA e do Fórum Paulista LGBT.
De característica marcante, sem pestanejar frente às dificuldades, sem se intimidar diante de novas possibilidades, Iran conquistava a todos com sua energia e determinação de conquistar o que queria. Muitas vezes, de forma explosiva, era incompreendido, o que não o impedia de perseguir o que almejava. Tinha muitos amigos devido à facilidade de se comunicar e conquistar as pessoas. Era um líder, sem saber.
Seu assassinato é um tiro dolorido no coração de todos nós, amigos e companheiros de luta. Sua ausência é saudade, mas também é sentimento de que a arma da homofobia é muitas vezes fatal, e que combatê-la se faz necessário, porque senão, morremos todos/as.
Nesse momento nossa bandeira está desbotada, pela falta da presença alegre, amiga e cativante do Iran. Mas haveremos de conquistar energia suficiente para continuar na luta, por um mundo sem homofobia, intolerância, machismo, preconceito.
Somos muitos, que pelo amor à vida, haveremos de vencer esse mal que se chama homofobia.

Contra a homofobia, nossa luta é todo dia!
Luiz André Moresi ONG REVIDA
Jacareí – SP
www.revida.org

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