Aumentam casos de violência contra homossexuais

Segundo levantamento do Grupo Gay da Bahia, o Brasil é campeão mundial de crimes de homofobia. Só neste ano, 170 pessoas foram mortas
As agressões sofridas neste domingo por três homossexuais ao longo da Avenida Paulista voltam a acirrar as discussões em torno dos direitos das minorias no país. Um levantamento do Grupo Gay da Bahia (GGB) mostra que o Brasil continua sendo campeão mundial de violência homofóbica, com um assassinato a cada dois dias. Em 2009 foram 198 casos e, neste ano, eles já somam 170.
 
Mas o que tem chamado a atenção, segundo o coordenador do grupo, o sociólogo Luiz Roberto Mott, é o fato de que 10% dos crimes são cometidos por jovens, como os quatro adolescentes que agrediram os homossexuais na capital.
A socióloga Regina Facchine, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero da Unicamp, afirma que os casos de agressões a homossexuais também estão em alta. A constatação foi  feita com base no depoimento de participantes da Parada Gay de 2009, em comparação a anos anteriores. Embora os números ainda não estejam fechados, Regina adianta que mais de dois terços dos pesquisados admitem ter sofrido violência e discriminação.
"Homofobia é um problema social grave", diz ela. Regina ressalta o esforço que o governo do estado e a Prefeitura vêm realizando para acabar com a intolerância em São Paulo. Porém, acredita que é necessário um trabalho longo de conscientização da população, que ainda não sabe lidar com a diversidade nem respeitá-la.
LEI ESTADUAL
Na opinião de Regina, a lei estadual 10948/2001, que pune administrativamente quem discrimina homossexuais, é um grande avanço para mudar a mentalidade social, mas necessita de uma forte campanha de conscientização, semelhante à da lei que proíbe fumar em locais fechados, para ter mais visibilidade. "Se todos soubessem da existência da lei, pensariam duas vezes antes de discriminar o homossexual."
Para o coordenador de Políticas para a Diversidade Sexual da Secretaria da Justiça de São Paulo, Dimitri Sales, a responsabilidade pelo aumento dos casos de violência homofóbica é do Senado. Segundo ele, desde 2006 tramita por lá um projeto que pune criminalmente a prática desses casos, "mas os senadores o ignoram, por pressão das bancadas religiosas."
Na opinião de Julian Rodrigues, do grupo Corsa (Cidadania, Orgulho, Respeito, Solidariedade e Amor), quanto mais o homossexual se expõe, mais evidente fica a fobia dos grupos  de extermínio. "O mais preocupante é a participação de jovens nesses atos de violência, porque eles estão sofrendo a influência da cultura que não aceita as diferenças", diz.
Jovens atacados na Av. Paulista
Dois casos de ataques homofóbicos na Avenida Paulista,  centro de São Paulo,  provocaram repercussão dentre os homossexuais ontem.  A Polícia Militar prendeu cinco suspeitos - o estudante Jonhatan Lauton Domingues, 19 anos, e mais quatro adolescentes - pelos crimes.
Os acusados, segundo o delegado Alfredo Jang, titular do 5º Distrito Policial (Aclimação), que registrou a ocorrência, são de classe média-alta, moram e estudam no bairro Itaim Bibi, na Zona Oeste da capital. A Polícia Civil investiga se o crime é homofóbico pois, segundo o delegado, os presos não são skinheads (gangue que prega a violência contra negros, homossexuais, nordestinos e judeus). "Eles estão bem vestidos e, no mínimo, alcoolizados", disse Jang. Ao serem transferidos para a Fundação Casa, os adolescentes passarão por exame no Instituto Médico Legal (IML), informaram policiais.  
  O primeiro ataque ocorreu por volta das 6h30 contra m fotógrafo de 20 anos e seu amigo, de 19, ambos homossexuais, que deixavam uma festa nas Alameda Campinas, nas proximidades da Avenida Paulista. Em depoimento, o fotógrafo contou que ele e o amigo esperavam um táxi quando o grupo de agressores se aproximou e começou a dar socos e chutes, chamando-os de "bixas". Ele correu e se escondeu em uma estação de metrô, mas seu amigo ficou muito machucado e socorrido pela polícia ao Hospital Oswaldo Cruz.
 Em seguida, ainda na Paulista, os agressores atacaram com lâmpadas  outro jovem, de 23 anos, que sofreu cortes na cabeça. Foi quando uma testemunha chamou a PM.
O advogado Orlando Machado diz que os adolescentes reagiram a provocações. A mãe de um dos presos creditou o caso a "uma atitude infatil" dos menores. À tarde, outro jovem, que havia sido assaltado na Avenida Paulista no início da madrugada, acusou os presos pelo roubo.
O comandante interino da PM no Centro, tenente-coronel Sidnei Alves, tratou os casos como "pontuais".

Saiba mais
Cresce o número de mortes de lésbicas
O sociólogo Luiz Roberto Mott, coordenador do Grupo Gay da Bahia, afirma que tem chamado a atenção o aumento de lésbicas assassinadas. Apenas em 2009, foram 11 casos. "Esse número é assustador, porque nos anos anteriores o que se verificava eram apenas casos isolados", diz.
15 homossexuais foram mortos no país apenas neste mês.

Há diversas maneiras de praticar homofobia
Luiz Mott explica que existem várias maneiras de praticar homofobia. Entre elas constam insulto, agressão, assassinato e  preconceito. Transexuais são os que mais sofrem discriminação, principalmente no trabalho, porque na carteira de identidade têm um sexo e no cérebro um outro.
Cristina Christiano
Diário de São Paulo

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